::Stephanes participa de pressão sobre Anvisa O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participa diretamente dessa ação contra a Anvisa e comandou
A reportagem é de *Evandro Éboli* e publicada pelo jornal *O Globo*,
31-01-2010.
A pressão sobre a *Anvisa* aumentou no segundo semestre de 2009. Diretores do ministério, dirigentes de empresas, sindicatos de fábricas desses defensivos agrícolas e parlamentares iniciaram uma campanha para rever proibições da *Anvisa* e suspender consultas públicas feitas pela agência,com parecer pelo banimento desses ingredientes. As empresas estão recorrendo à Justiça, que tem dado ganho de causa à * Anvisa *.
*Stephanes* participa de pressão sobre Anvisa O ministro da Agricultura, *Reinhold Stephanes*, participa diretamente dessa ação contra a Anvisa e comandou, no início de dezembro, uma reunião em sua sala para tratar do assunto. Estavam presentes todos os segmentos interessados na liberação dos agrotóxicos, e representantes do Ministério do Meio Ambiente e da *Anvisa*. A temperatura subiu, e o clima fechou entre *Stephanes* e representantes da *Anvisa*. O ministro não esconde o descontentamento.
A *Anvisa* não pode decidir sozinha sobre agrotóxicos. Não é uma decisão exclusiva da agência. Sei que a agricultura orgânica é melhor do que a que utiliza agrotóxico. Mas não tenho dúvida que, sem esses produtos (agrotóxicos), não vamos produzir mais e alimentar mais gente. Claro que, se algum deles faz, de fato e comprovadamente, mal à saúde, defendo que seja retirado do mercado disse *Stephanes*.
Essa frente de defesa do agronegócio contra a *Anvisa* chegou ao extremo no dia 23 de dezembro do ano passado, quando dois parlamentares da bancada ruralista — *Luiz Carlos Heinze* (PP-RS) e *Paulo Piau* (PMDB-MG) — enviaram um ofício ao ministro da Saúde, *José Gomes Temporão*. Nesse ofício, argumentaram que, na reunião no Ministério da Agricultura, ficou decidido que a *Anvisa* cedera e teria se comprometido a fazer mudanças na reavaliação toxicológica de ingredientes ativos, utilizados em mais de 200 agrotóxicos no Brasil.
Esses parlamentares chegaram a enviar em anexo a minuta de uma instrução normativa, a ser baixada por *Temporão*, suspendendo consultas públicas de quatro produtos e revogação de decisões sobre vários agrotóxicos. Os parlamentares chegaram a fazer, no documento, duros ataques à direção da * Anvisa*, acusada por eles de defender interesses obscuros.
"É um tiro de morte na autonomia da *Anvisa*" "Sr. ministro, estamos falando de produtos essenciais para a agricultura brasileira, setor responsável pelo superávit da balança comercial e grande gerador de riquezas e empregos neste país. São claros e evidentes os interesses obscuros dos gestores dessa agência (*Anvisa*) ao se intitularem os únicos e exclusivos responsáveis por tão importante decisão".
O ex-ministro da Saúde *Agenor Álvares*, diretor da *Anvisa* desde maio de 2007 e responsável pela área de agrotóxicos, reagiu com indignação à pressão dos setores ruralistas. Afirmou que, na reunião no Ministério da Agricultura, da qual participou, jamais a agência cedeu e sinalizou com a revisão de consultas públicas ou proibições.
*Agenor* disse que não foi feito acordo algum e que não haverá qualquer recuo da *Anvisa*.
O diretor afirmou também que essa pressão visa a atingir a autonomia da * Anvisa* e criticou a elaboração da instrução normativa que, se fosse publicada, iria liberar todos os produtos hoje sob suspeita de agredir a saúde. É uma proposta inaceitável, dos maiores absurdos que já vi. Essa pressão é uma intervenção direta na autonomia de uma agência, cujo papel é proteger a saúde da população. E estamos obtendo o respaldo da Justiça nas nossas decisões. Se interesse escuso há, é o de defender a saúde do brasileiro contra esses produtos. Essa pressão é um tiro de morte na autonomia da * Anvisa*, que não vai arredar pé disse *Agenor*.
*Produtos perigosos*
*ABAMECTINA*: O produto pode provocar aborto ou má-formação. É proibido na Nova Zelândia.
*ACEFATO*: Pode causar danos no cérebro e nos nervos e provocar câncer a longo prazo. É proibido em toda a Comunidade Europeia.
*CARBOFURANO*: Provoca sintomas graves, que aparecem em um ou poucos contatos com o produto e pode levar à morte. É proibido na Comunidade Europeia, Estados Unidos, Líbia e Canadá.
*CIHEXATINA*: Pode causar câncer, aborto e má-formação no feto. Pode atingiro cérebro e os nervos. É proibido no Japão, Estados Unidos, Canadá, China, Áustria e Comunidade Europeia.
*ENDOSSULFAN*: Pode alterar o funcionamento de várias glândulas, como tireoide, e atingir órgãos como ovários, testículos e o pâncreas. É proibido na Comunidade Europeia, Índia, Burkina Faso, Cabo Verde, Nigéria, Senegal eParaguai.
*FORATO*: Causa vários sintomas graves que podem levar à morte e tem capacidade de provocar danos no cérebro e nos nervos. É proibido nos Estados Unidos, Comunidade Europeia, Tailândia e Austrália.
*METAMIDOFÓS*: Pode causar danos no cérebro e nos nervos e outros sintomas graves, com risco de morte. É proibido na Comunidade Europeia, Paquistão , Kuwait, Indonésia e China.
*TRICLORFOM*: Pode causar câncer, má-formação no feto, além de atingir o cérebro. É proibido na Comunidade Europeia.